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  • Humberto Amadori

CUIDADOS PALIATIVOS: Quando ouvir e cuidar é o mais importante

A roda da vida recebe o seu pontapé inicial. Meses depois...

NASCEMOS. E não há dúvida que nos meses anteriores nossos pais buscaram realizar um pré-natal de qualidade e se esmeraram em fazer O MELHOR por nós.

CRESCEMOS. Planejamos a carreira que iremos seguir, onde iremos morar, com quem pretendemos nos casar, os filhos que iremos ter e como pretendemos envelhecer.

No entanto, NÃO PLANEJAMOS COMO DESEJAMOS MORRER. E, apesar da possibilidade da morte poder vir subitamente, na maioria das vezes ela ocorre no contexto de uma doença crônica e progressiva, ao longo de MESES A ANOS.

CUIDADOS PALIATIVOS NO IDOSO

Assim, FALAR DA MORTE NÃO ATRAI, MAS SILENCIAR pode acarretar UM MORRER INDESEJADO. Em 2010, em artigo da revista The Economist, o Brasil ficou com a alarmante ANTEPENÚLTIMA posição no ranking de QUALIDADE DE MORTE, a frente da Índia e Uganda. Ainda que tenhamos evoluído em 2015 (42ª posição dentre 80 países), o cenário persiste preocupante.

Já a Inglaterra - onde Cicely Saunders desenvolveu um trabalho admirável com pacientes sem possibilidade de cura - lidera o ranking.

Cicely Saunders foi uma médica-enfermeira-assistente-social (isso mesmo!) que fez do cuidado com os pacientes em fase terminal sua grande luta e paixão. Como mãe dos CUIDADOS PALIATIVOS, batalhou contra o “NÃO HÁ NADA MAIS A SE FAZER”, fazendo do “TEMOS MUITO A FAZER AINDA” e “O QUE PODEMOS FAZER POR VOCÊ? as suas principais bandeiras.

E o que são Cuidados Paliativos? São um conjunto de cuidados que visam melhorar a qualidade de vida de uma PESSOA DOENTE e dos SEUS FAMILIARES, aliviando e prevenindo o sofrimento diante de uma doença que PODE por fim à sua vida.

Assim, faz-se fundamental enfatizar que se, originalmente, os Cuidados Paliativos se focavam EXCLUSIVAMENTE em pacientes em fase final de vida, atualmente devem estar disponíveis para todos os pacientes e familiares durante todo o processo de DOENÇA AMEAÇADORA À CONTINUIDADE DA VIDA e também no luto. Ou seja, se o paciente, por exemplo, tem um câncer potencialmente fatal, MAS AINDA COM POSSIBILIDADE DE CURA, ele deve ser abordado em relação a cuidados paliativos. E se a doença é PROGRESSIVA E INCURÁVEL, os cuidados paliativos devem se tornar o foco TOTAL do cuidado.

Portanto, cada estágio de nossa vida merece um cuidado específico; e se em um extremo da vida há o pré-natal de nossos filhos no outro deve existir os CUIDADOS PALIATIVOS de nossos pais e avôs. E, sim, os nossos!

Precisamos que os últimos passos de nossas vidas sejam tão valorizados quanto todos os anteriores.

A roda da vida não pára.

TEMOS MUITO A FAZER AINDA.


Humberto Amadori – médico geriatra.


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