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  • Humberto Amadori

DEPRESSÃO NO IDOSO: Uma doença silenciosa

Atualizado: 2 de Jun de 2020

Há algo no olhar e na disposição das mãos daquele senhor que aguarda uma tradução. Ele não come, queixa-se de FRAQUEZA e de uma TONTURA que não segue nenhum padrão conhecido. As roupas mais largas revelam uma história de PERDA DE PESO e um familiar mais preocupado certamente questionaria a possibilidade de um câncer.

O médico, por meio de perguntas e gestos acolhedores, tenta uma aproximação. No entanto, as respostas, não fluem. Orbitam entre indecisos “não sei” e períodos de silêncio repletos de sentimentos. Finalmente, ele se queixa da MEMÓRIA:


- Não poderia ser Alzheimer, doutor?

DEPRESSÃO NO IDOSO


A depressão no idoso apresenta algumas CARACTERÍSTICAS DISTINTAS daquelas que ocorrem no adulto. Com frequência, assume formas com sintomas mais discretos e menos específicos, podendo-se FACILMENTE SER CONFUNDIDA COM OUTRAS ENFERMIDADES.

Muitos idosos não dizem que estão tristes, mas se queixam de DORES PELO CORPO, FRAQUEZA, FADIGA, PERDA DE APETITE E DE MEMÓRIA. Não é raro o próprio paciente não perceber que está com depressão, atribuindo seus sintomas a causas físicas ou ao próprio envelhecimento. A aposentadoria, a saída dos filhos de casa, a PERDA de entes queridos e a DIFICULDADE DE ACEITAR AS MUDANÇAS do corpo e do papel que desempenha na sociedade são algumas das SITUAÇÕES MAIS comumente RELACIONADAS à depressão no idoso. No entanto, também pode apresentar raízes biológicas como, por exemplo, na depressão vascular.


Já a RELAÇÃO da depressão COM A DOENÇA DE ALZHEIMER, pode adquirir diferentes contornos: a depressão no idoso pode ser tanto um diagnóstico alternativo a doença de Alzheimer como pode ser uma de primeiras manifestações. Além disso, sabe-se que DEPRESSÃO NÃO TRATADA AUMENTA O RISCO DE DOENÇA DE ALZHEIMER.

Pela sua complexidade e pelas suas diversas complicações, DA PERDA DE FUNCIONALIDADE E QUALIDADE DE VIDA ATÉ O SUICÍDIO, a depressão no idoso é uma doença que necessita de reconhecimento precoce por parte da família do paciente.


Portanto, tal como em um iceberg, na depressão no idoso, grande parte dos sintomas podem ser de difícil percepção: tristeza e desesperança podem não são evidentes. Às vezes, tudo que avistamos são SINTOMAS FÍSICOS ou PERDA DE MEMÓRIA. Somente por meio de EMPATIA, escuta ativa e consultas sem pressa podemos emergir o sofrimento do paciente e tratá-lo adequadamente.


Humberto Amadori – médico geriatra



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