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  • Humberto Amadori

IDADE NÃO É DOENÇA

Atualizado: 2 de Jun de 2020

Queda. Confusão. Urina Solta. Fraqueza. Tontura. Boca seca. Perda de memória com perda funcional.

IDADE NÃO É DOENÇA

Embora estas alterações possam ser mais frequentes com o avançar da idade, nenhuma delas é esperada no envelhecimento saudável. São todas situações que devem ser valorizadas, diagnosticadas e tratadas precocemente. Diferentemente do jovem, no idoso muitas doenças se manifestam de forma atípica e sutil e, dessa forma, necessitam de um alto nível de suspeição para serem adequadamente abordadas. Ou seja: UMA QUEDA NÃO É SÓ UMA QUEDA.

Mas pode ser o primeiro sintoma de pneumonia. UMA CONFUSÃO NÃO É SÓ UMA CONFUSÃO. Pode ser um infarto. UMA FRAQUEZA NÃO É SÓ UMA FRAQUEZA; pode ser o primeiro sintoma de uma doença fatal.

A própria perda auditiva, antes entendida como inevitável no idoso, atualmente é classificada como doença e, assim, precisa ser mais valorizada. Conhecida como presbiacusia, ela é um dos fatores de risco mais importantes para desenvolvimento de Doença de Alzheimer.

Mas, então, quais alterações seriam esperadas no envelhecimento normal?

Uma maior tendência à constipação e pele seca são algumas das mais frequentes. Redução na velocidade de raciocínio, perda de massa muscular e diminuição do reflexo de tosse também tendem a ocorrer com o aumento da idade.

Portanto, da próxima vez que você vir uma idosa de setenta anos repetindo as mesmas perguntas ou um idoso de noventa anos caindo sem motivo aparente, não considere como normal. Procure o seu médico de confiança.

NÃO É DA IDADE. IDADE NÃO É DOENÇA


Humberto Amadori - médico geriatra



GERIATRA: O DESFRAGILIZADOR AUTOMÁTICO


“Pesquisadores da Universidade de Minnesota identificaram 568 homens e mulheres com mais que 70 anos que viviam de maneira independente, mas que corriam alto risco de ficarem incapacitados por causa de problemas de saúde crônicos, doenças recentes ou mudanças cognitivas.


Com a permissão dos participantes, os pesquisadores encaminharam aleatoriamente metade deles para uma equipe de enfermeiros e médicos geriatras — uma equipe dedicada à arte e ciência de administrar a velhice. Os outros foram encaminhados a seus médicos habituais, que foram notificados do status de alto risco dos pacientes.

18 meses depois, 10% dos pacientes em ambos os grupos haviam morrido. Mas os pacientes que tinham se consultado com a equipe de geriatras tinham uma chance 25% MENOR de ficarem INCAPACITADOS , 50% MENOS de desenvolver DEPRESSÃO E 40%MENOS chance de precisar de serviços de CUIDADOS DOMICILIARES.

Esses resultados foram impressionantes.

Se os cientistas desenvolvessem um dispositivo — vamos chamá-lo de DESFRAGILIZADOR AUTOMÁTICO — que não prolongasse a vida dos pacientes, mas que diminuísse drasticamente a probabilidade de acabarem em uma casa de repouso ou com depressão estaríamos todos implorando por ele.


Não nos importaríamos se os médicos tivessem de abrir nosso peito e conectar o dispositivo a nossos corações. Faríamos campanha para que todas as pessoas com mais de 75 anos recebessem um. O Congresso estaria realizando audiências, exigindo saber por que indivíduos de quarenta anos não podiam recebê-lo também. Estudantes de medicina estariam fazendo de tudo para se tornar especialistas em desfragilização e as ações das empresas fabricantes do dispositivo estariam subindo às alturas.


​MAS NÃO HAVIA DISPOSITIVO MIRACULOSO, era apenas GERIATRIA.”


​Atul Gawande – médico cirurgião, escritor e pesquisador da área da saúde – autor de Mortais

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